segunda-feira, 23 de agosto de 2010

POLÍCIA! “PARA QUEM PRECISA DE POLÍCIA”

“A gente toma a iniciativa viola na rua a cantar, mas eis que chega a roda viva e carrega a viola pra lá...” (roda viva era o giroflex da viatura).
Quando o Chico fez a música roda viva em 1968 era ainda jovem, desses de vinte e poucos anos. O que não faltava era a consciência política e um senso crítico e obviamente uma bagagem cultural enorme; não é todo mundo que nasce na casa do Sérgio.
A verdade é uma só, jovem em regra é muito irresponsável. Sem noção, sem juízo, até por não precisar muito dele. Quando você tem na cabeça apenas os problemas da faculdade ou do colégio que responsabilidade você precisa ter? Quase nenhuma!
O Chico conta num dos seus filmes em forma de série, lançados em 2005 que por diversas vezes cometeu o chamado “furto de uso” de automóveis. É o ato de sair por ai com o carro de alguém e devolver depois.
Entender a lei ou simplesmente seguir todos os passos dela é uma tarefa difícil até para adultos imagina então para um jovem?
Um amigo comentou que uma unidade da Polícia Militar foi convidada por uma professora universitária para averiguar uma suposta posse de entorpecente entre um de seus alunos.
É difícil entender o que é certo ou errado. No auge da ditadura, os alunos da UNB, fumavam maconha dentro da faculdade. Diziam e defendiam que a universidade era um espaço livre e protegido. Não é bem assim que tem de ser, todos sabem que droga mata e se um universitário nos dias de hoje usa drogas é porque quer, pois, nenhum jovem, rico ou pobre sai de casa sem a recomendação dos pais para não usar drogas.
A faculdade é como o colégio, ainda é como o “parquinho”, continuação da casa do aluno. Quando soube do episódio onde a Polícia foi até a universidade pra ver quem tinha droga achei um absurdo. Se o aluno tem droga e usa droga, não é caso de polícia, é caso de família. E o que são os professores que você encontra todos os dias? (os que eu tive são parte da minha história e estão na minha lista de amigos) Polícia em faculdade, só se for pra prender o traficante. Esse merece uma enquadrada.
Parece, e por sorte, o cheiro forte que fez a professora desconfiar dos alunos vinha de um vazamento de gás do ar-condicionado da sala de aula. Como alguém pode ser professor universitário sem saber que a regra do direito penal no Brasil é: “todos são inocentes até que se prove o contrário”. Como pode acusar sem ter fundamento e sem medir o grau de violação da individualidade de cada aluno?
Esse é um problema grave, é uma falta de estrutura não só administrativa da faculdade que permitiu a entrada da polícia como uma falta de base e de formação social, humana e até jurídica por parte da professora.
Em primeiro lugar a universidade tem um procedimento interno disciplinar próprio que foi preterido pelo 190. Depois, a própria polícia militar não deveria sequer considerar a ocorrência, afinal, a universidade por meio dos seus diretores e professores tem a obrigação de zelar não só pela imagem da instituição, mas pela honra e moral dos seus alunos. Esse grau de exposição e constrangimento não seria relevado em um país da Europa, no mínimo, os pais dos alunos iriam bater à porta de algum tribunal para cobrar da justiça uma reparação moral.
O problema é que no Brasil, muita coisa já perdeu o controle. No fim, eu entendo a professora, é uma mistura de medo e desespero que causou essa reação, os jovens estão de certa forma largados, e o Estado não está conseguindo gerenciar toda essa dura realidade.
Para encerrar, fica uma pergunta. Como ser o país do futuro se na universidade que é a casa do saber de uma nação um grupo de jovens acadêmicos é marginalizado e tratado como bandido? Se tem jovem usando droga em primeiro lugar deve ser acionada a família e se a família não faz nada, bom, ai é a sorte que vai cuidar. Pra terminar, faculdade não é lugar de polícia e ponto. Enquanto existir pai e mãe, a roda viva deve ficar é pra lá...

2 comentários:

  1. A repressão em si já é condenável, agora ela nas instituição de ensino é lamentável.
    Isso demostra apenas o despreparo e moralismo para tratar sobre assuntos polêmicos.

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